segunda-feira, 22 de junho de 2009

Ela!

Olhos vazios, corpo magro e esguio, um charme nada peculiar para quem acabou de completar 25 anos, ela que não gosta de seu jeito quieto e calmo caminha lentamente pelos corredores daquela grande central de Call Center. Ao observá-la pela primeira vez, indo à praça de alimentação com sua prima, me inquietei com aqueles passos calmos, cheios de graça e leveza e vi que ali suplantava um interesse que seria maior que a chance de viver, certamente eu teria de me aproximar, me apresentar e tentar convencê-la de que aquela súbita aproximação não passaria de uma infrutífera vontade de beijá-la apenas, mas sim de criar um elo, alguma coisa duradoura, maior que o inverno e as quatro estações do ano.
A cada dia que passava tudo ficava mais claro em minha mente e aquele olhar languido e vazio contagiava o meu ser cada vez mais, me fazendo cometer impropérios como distribuir a torto e direito minhas opiniões furiosas sobre quaisquer temas, qualquer coisa que me fizesse aproximar dela, que a fizesse desviar os olhos vazios e gelados do cliente do outro lado da linha, e que eles se transferissem a mim, foi em uma dessas opiniões que descobri seu nome num sábado de sol.
Ela era um tipo de mulher diferente das outras: Era quieta, caseira e pouco receptiva a estranhos, tive uma enorme dificuldade para penetrar em seu mundo paralelo, cheio de pensamentos e medos, foram meses até um primeiro diálogo que não passou de um “oi, tudo bem?” ainda cheio de “dedos” e receios, e com o tempo eu consegui que ela me dissesse oi todos os dias, para mim que estava acostumado a cantadas baratas e apenas uma noite de amor, passou a ser um desafio o simples fato de agradá-la, sim, ela teria de ser minha.
Passaram-se dias, meses, incertezas, briguinhas, birrinhas, provocações, beijos na trave e selinhos mesmo, até que eu conseguisse convidá-la para sair, tarefa para Hercules e seus doze trabalhos, Maximmus e sua arena de gladiadores, porque ela não dava uma trégua para meu famigerado coração considerado vingador e à deriva pela maioria de meus amigos. Porém ela, com sua paciência chinesa e senso de torturadora digna de inquisição não se moviam, não sei se por extremo gosto em me ver arrastar as asas, o corpo e todo o resto para ela, ou puro medo de entregar-se a uma e nova arrebatadora paixão. O relógio correu de encontro ao inevitável, o nosso primeiro passeio. Já havia programado tudo para aquele sábado: Ela trocaria de horário na central de Call Center, e no fim do expediente nos encontraríamos num local determinado para irmos de encontro ao que os deuses do Olimpo já haviam predestinado.
O tão esperado sábado chegou nublado, e com ar de quem não deixaria o sol nos agraciar com seu calor e beleza, eu cheguei animado e um pouco atrasado ao trabalho devido a um acidente provocado por uma colisão entre carros, mas ao ver aquela figura frágil, de olhar inocente e que ansiava por cruzar os meus, logo senti o calor abrasando as maças de meu rosto e obtive a certeza de que este era o dia “D”. As horas logo voaram e a hora do tão sonhado encontro chegou, ela como mulher atrasou-se para chegar ao local marcado colocando meu coração a pular inquietamente tentando pensar na melhor das hipóteses que ela se atrasara, coisas de mulher!
Caminhamos lentamente sob um tímido sol da Avenida Paulista até o ponto de ônibus mais próximo, ela inquieta por saber aonde iríamos e eu por não acreditar que aquele momento chegaria depois de tanto tempo. O local do escolhido para o nosso primeiro passeio foi o parque do Ibirapuera, que nos momentos mais aterradores me trás paz, serenidade e calma para enfrentar as atribuladas curvas da cidade que não para. Caminhamos por suas alamedas desfloradas pelo frio outono e paramos próximo a um lago dividido por patos e carpas.
Minhas mãos deslizaram por seu rosto enrubescido pela vergonha que sentia, seus olhos corriam de um lado pro outro e sua respiração descompassada aguardava ansiosa o encontro daquelas duas bocas. Foram beijos intermináveis naquele frio pôr do sol, por um instante o tempo parou e ela repousou a cabeça sobre meu ombro, com a promessa de que nunca mais fugiria, naquele momento eu conseguia ler em seus olhos cabisbaixos e tristonhos que mais uma vez a fulgura da paixão se instalara por ali.
O sábado terminou com o vento balançando a copa das arvores do parque do Ibirapuera e eu e ela, abraçados, caminhamos rumo a um destino incerto, mas com a convicção do que suplantamos um sentimento que germinará durante o inverno e renascerá forte e sublime com a primavera, assim fomos juntos eu e ela, ao encontro daquilo que desconhecemos, o que virá a seguir somente o tempo vai dizer, enquanto isso não rola, vamos deixar acontecer....

[Continua...]

Um comentário:

Paty Avilla disse...

Romantico! ;)

Só vc mesmo pra juntar sonhos e formar esse texto lindo, que parece tão real. Até me identifiquei nele hahahaha

Quero ver a continuação!!!

Beijus more
Adoro-te